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1.Qual a diferença entre espinha e acne?
Acne é o nome da doença, espinha é uma das lesões que podem fazer parte do quadro clínico da acne – aquela lesão representada por uma pequena elevação avermelhada e com ponto amarelado (pus) no centro.
2.Por que algumas pessoas têm espinhas e outras não?
Existe uma predisposição genética, mas acredita-se que praticamente 90% dos adolescentes tenham acne em algum grau. A diferença está na gravidade que é dependente da resposta inflamatória e imunológica de cada pessoa.
3.Quais são as causas das espinhas?
A espinha existe nos casos chamados inflamatórios. As causas, além da predisposição genética são: retenção do sebo, crescimento de bactérias que são habitantes normais da pele, mas que proliferam muito nos pontos onde há espinha, reação inflamatória e imunológica.
4.Como prevenir o surgimento de espinhas?
É importante iniciar o tratamento o mais precocemente possível, quando aparecem os primeiros cravos, independente da idade (pode ser aos 9, 10 anos) e nunca mexer, espremer os cravos ou espinhas. São raras às vezes em que, apesar de todos os cuidados, as espinhas surgem, ou seja, não se consegue prevenir e isso está relacionado à própria gravidade, evolução da doença. Nessa pessoas, há necessidade de intensificar o tratamento para evitar as cicatrizes, as marcas da acne.
5.Como tratar as espinhas?
Inicialmente, são utilizadas substâncias de uso local. Alguns exemplos: peróxido de benzoíla, antibióticos – clindamicina, eritromicina, ácido azeláico. Se o resultado não for bom, é preciso tratamento por via oral, em geral os antibióticos ou, nos casos mais difíceis, a isotretinoína. Nas mulheres adultas, ás vezes é necessário o uso de hormônios, por exemplo, as pílulas anticoncepcionais.
6.É possível remover manchas no rosto causadas pelas espinhas?
Sim, após o controle da doença, usa-se substâncias clareadoras, como hidroquinona, ácido azeláico, ácido retinóico e procedimentos, como a microdermoabrasão e os peelings químicos, que são esfoliações.
7.O que fazer quando o rosto fica marcado com "buracos" por causa da espinha?
As cicatrizes da acne são de tratamento difícil. Em geral, há necessidade de usar produtos a base de ácido retinóico para preparar a pele e depois associar vários tipos de procedimentos como: dermabrasão (lixamento da pele), retirada cirúrgica, subcisão (levantamento dos pontos deprimidos), pequenos enxertos de pele, peelings químicos, laser etc.
8.Qual a diferença entre comedões, pápulas e nódulos?
Comedões são os cravos, brancos ou enegrecidos – em geral são as lesões inicias da acne; pápulas são a espinhas – pequenas elevações avermelhadas com ou sem ponto de pus; nódulos são elevações maiores, mais endurecidas, mais profundas e também avermelhadas.
9.Por que a maioria das pessoas tem cravos no rosto?
Porque na adolescência começa a produção de hormônios e alguns deles, os masculinos, como a testosterona que é produzida nos homens e nas mulheres (em menor quantidade) estimula as glândulas sebáceas presentes na pele que produzem o sebo, que tem função de lubrificar e proteger a pele. Nas pessoas com predisposição genética, a produção de sebo é mais exagerada e aí a pele começa a ficar mais oleosa e podem surgir os cravos. O cravo representa um acúmulo de sebo, queratina (proteína produzida pela pele) e bactérias dentro dos poros que estão com a sua abertura obstruída.
10.É possível prevenir o aparecimento de cravos e espinhas ou todo mundo tem em determinadas fases da vidas?
Se existe a predisposição genética não há como prevenir; o importante é começar a cuidar da pele quando aparecem os primeiros cravos. Como já foi dito, acredita-se que 90% das pessoas terão acne, na fase da vida representada pela adolescência ou puberdade.
11.Acne é uma doença hereditária?
Em parte sim; a predisposição genética deve ser considerada, mas existem muitos outros envolvidos; a acne é uma doença complexa.
Fonte: 50 Perguntas Mais Freqüentes Feitas Ao Dermatologista
Dra. Ediléia Bagatin
Editora Alaúde
Heliaz Shauon
Como surgiu a banda sims
Gibran
A primeira ideia surgiu no fim de 2005 mas para uma historia em quadrinhos.
em 2006 eu vi o nome Wings numa das faixas do cd da banda Live que eu era muito fã
achei que o nome combinava para ideia que eram 6 jovens que seriam levados a outra dimensão após encontrar um livro numa casa abandonada
o nome dessa outra dimensão chamava Wings
dai as historinhas foram sendo desenhadas por mim e tal e sempre o pessoal do colégio lia
nessa brincadeira foram 5 edições
e nesse meio, os leitores começaram a associar Wings aos personagens e não a outra dimensão que eles estavam
dai começaram a fazer comentários do tipo 'os wings são vocês?' etc
depois dessas 5 edições, resolvemos reformular a historia, wings agora seriam o nome dos 6 'guerreiros' e tal e cada um criou seu próprio estilo de acordo com sua personalidade
eu fiz uns desenhos testes mas nenhuma historinha foi desenhada
até q ano passado vi o concurso rock star, ao acaso no youtube e ja tava em cima da hora de inscrição
dai veio a ideia de transformar os heróis em banda
e assim foi
H.S.
Mas antes de ver o anúncio você já jogava The Sims?
Gibran:
eu tive o 1 contato com The Sims em 2004, eu tinha um ps2 e comprei o jogo The Sims Bustin Out, era ainda da 'saga' sims 1, mas bem mais bonitos os gráficos
depois lançou sims 2 pro ps2 também e jogava direto
lembro q os sims pareciam Ets
horríveis
dai em 2007 meu amigo me emprestou a versão pra pc
joguei bastante até descobri o hobby por fazer vídeos
dai deixei de jogar e hoje só uso pra vídeos mesmo
Heliaz Shauon
entendi
e o que você espera de 2010
acha que será propício para a banda
Gibran:
2009 foi o ano que nós fomos 'apresentados' ao publico q joga the sims
2010 é o ano pra nos mostrarmos que o grupo veio pra ficar
H.S.
ótimo
e com a nova versão do the sims, você pretende exportar o projeto para o The Sims 3
Gibran
que curioso você ter perguntado isso hehehe
hoje um rapaz q admiria a banda e é diretor da serie Hard Candy
fez os wings versao sims 3
e me mandou uma foto
ficou muito engraçado hehe
mas bem, existe sim essa vontade
mas o jogo ainda ta muito 'cru' nao tem hacks, caixa de pose e nem animações de dança e tal
é inviável no momento
quem sabe com novas expansões, nos podemos migrar pra nova geração
H.S.
eu lendo o blog oficial, achei iteressante a chance de um filme da banda wings se tornar realidade, também diz que nada foi confirmado, mas qual as probalidades
Gibran:
eu acho que um documentário seria mais viável, provavelmente sera um documentário e não mais um filme
vai fugir muito do contexto do grupo
nao queremos transforma-lo em um high school musical da vida neh hehe
H.S.
claro, mas poderia contar uma história de 6 super herois, que desbrava atrás de aventura, como disseram no blog, e não um musical
Gibran:
mas quando me refiro ao HSM, falo do fato de ser banda e fazer filmes
H.S.
ah sim
mas ainda assim eu iria gostar de ve-los entrar na dramaturgia sims
(principalmente a Atleta)
mas há outros concursos que você queira inscrever a banda
Gibran:
não , acho que o Rock Star foi o empurrãozinho para inseri-los no cenário musical sims
a banda já criou asas e ta voando sozinha
H.S.
entendi
e você pretende fazer um especial, tipo, me refiro montar outros personagens
ou uma banda diferente
só para sair da rotina
Gibran:
Eu penso em montar um filme de suspense esse ano, com nós mesmo dublando mas nada a ver com a banda. Projeto paralelo
mas outra banda eu não faria agora.
H.S.
entendi
qual seria a sua mensagem para seus fãs
para encerrarmos sua entrevista
Gibran:
Obrigado pelo apoio que vocês tem nos dado nesses 8 meses. 2010 será um grande ano para a banda e com certeza pra todos.
H.S.
Obrigado pela entrevista, parabéns pelo sucesso, e que muito mais prestígio venha para OS WINGS neste 2010...
Gibran:
Obrigado a você Heliaz.
Sessão Vídeos
Aqui está um pouquinho dessa banda sims que vem arrebentando neste universo virtual.
Quer saber um pouco mais sobre OS WINGS? Acesse:http://oswings.blogspot.com
Selecionei vários cover para o pessoal dar uma olhada, muito legais.
Lady Gaga - Bad Romance
Killing me softly - fugges
Sophie Ellis-Bextor Groovejet
Você sabia que…
• Os porcos não têm flexibilidade para olhar para céu?
• Os cavalos não conseguem vomitar?
• Com o passar da vida a pessoa engole aproximadamente 70 insetos e 10 aranhas?
• Os camarões têm o coração na cabeça?
• Se espirrar com muita força podemos partir uma costela?
• Todos os porco-espinhos flutuam na água?
• O “ quack” de um pato não produz eco?
• Um ladrão que roubava uma casa na Bélgica foi surpreendido,fugiu pela porta dos fundos, escalou uma parede de três metros, pulou para o outro lado e acabou dentro da prisão municipal.
• “J” é a única letra que não aparece na tabela periódica
• Cabem cerca de 70 gotas em uma colher de chá
• A expressão O.K surgiu quando as tropas voltavam para o quartel depois de uma batalha sem nenhuma baixa após a Guerra da Secessão, eles escreviam uma placa imensa “o Killed” (Zero mortos).
• A maioria dos batons possuem em sua composição escamas de peixe.
Divulgação
Os monstros vivem na nossa imaginação, como em 'Onde vivem os monstros, ou eles existem mesmo?
Os monstros na verdade são um assunto complexo e, assim como os heróis, dizem muito sobre nós, seres humanos. Tão antigas quanto nossa própria história, as histórias de monstros fazem parte do medo de uma espécie que ainda não subjugou a natureza totalmente, mas que pretende fazer isso através da lógica e do conhecimento.
A palavra vem do latim monstrum e etimologicamente significa “mostrar” ou “advertir”, e também “segredo divino”. Algumas interpretações vão mais longe e traduzem monstrum como “aquele que adverte”, ou “aquele que revela”.
Mas qual é a razão desses significados? Mais importante do que isso: de onde afinal vem nosso medo inconfesso desses seres imaginários?
A origem do medo de monstros
Reprodução / Domínio Público Monstros que viveriam em águas profundas, como o kraken, retratado na pintura Colossal Octopus, de Pierre Denys de Montfort, estão entre os maiores medos do ser humano |
Em seu livro "Como a Mente Funciona", o cientista cognitivo Steven Pinker descreve os medos que espontaneamente desenvolvem-se nas crianças de até cinco anos de idade: aranhas, escuridão, cobras, águas profundas. Como Pinker deixa claro, todos esses temores são objetos fóbicos clássicos. Temores que, quando não devidamente superados na infância, acompanham as pessoas em sua fase adulta na forma de fobias. Uma resposta biológica para a manifestação da cultura do monstro em todas as sociedades é que ela incorpora esses medos inatos – por isso o bestiário universal possui tantos exemplos de serpentes enormes que habitam as profundezas do mar ou de um lago (medo de cobras e águas profundas), de aracnídeos gigantes (medo de aranhas) ou de monstros que vivem em cavernas profundas ou que apenas atacam durante a noite (medo do escuro).
“A crença em monstros é realmente evolutiva e adaptativa. Nós temos medo de cobras e aranhas certamente não porque elas são grandes e podem nos atacar, mas porque geralmente são venenosas. Então esse medo nos leva a evitar esses bichos, o que provavelmente salvou vidas e se tornou impresso geneticamente”, concorda o antropólogo norte-americano David Gilmore, especialista no estudo dos monstros.
Reprodução Quem tinha medo de ser comido no mar antes da exibição do filme 'Tubarão'? Ele mexeu com vários dos nossos medos mais profundos |
Como escreveu o americano David Quammen em seu livro "O Monstro de Deus", “entre as formas mais primitivas de autoconsciência humana estava a consciência de ser carne”. Não é muito difícil perceber o reforço dessa percepção e ansiedade míticas em monstros como o gigante devorador de homens Grendel, do poema épico anglo-saxão Beowulf, ou nos predadores da série Alien. A mensagem por trás de histórias como essas é clara: existe algo muito pior do que simplesmente ser morto; é ser devorado.
Dessa forma, os monstros estão relacionados com sentimentos que refletem no íntimo de nossa espécie. Sensações e medos que foram fundamentais para a evolução humana. Em "The Others: How Animals Made Us Human" (“Os outros: como os animais nos fizeram humanos”, sem tradução para o português), o ecólogo e filósofo Paul Shepard escreveu sobre a possível metamorfose de predadores selvagens em monstros na psique humana: “Nosso medo noturno de monstros provavelmente tem suas origens nos princípios da evolução de nossos ancestrais primatas, cujas tribos foram desbastadas por horrores cujas sombras continuam a elicitar nossos gritos de macaco em teatros escuros”.
Monstros e heróis
Domínio público O Feiticeiro, pintura encontrada nas cavernas Trois Frères, na França, é a primeira representação de monstro da humanidade |
Alguns milênios depois, com o surgimento da escrita, os monstros deixaram as cavernas pré-históricas e os contos e tradições orais e migraram para os textos mitológicos da Antiguidade. Um dos primeiros exemplos ao qual temos registro é Humbaba (rosto repleto de intestinos retorcidos, hálito de fogo e mandíbulas mortíferas), descrito no poema babilônico de Gilgamesh, considerado a primeira grande epopeia da humanidade, com versões datando de cerca de 2.000 a.C.. O poema narra a luta e vitória do herói Gilgamesh contra essa espécie de demônio. A batalha é um dos primeiros encontros arquetípicos entre herói e monstro, mas está longe de ser o último. A lista de duelos míticos é longa, com exemplos de inúmeras sociedades: Marduk contra Tiamat (mar de água doce que se transformou em dragão depois que Ea, deus da Terra e da água matou e filho de Tiamat matou Apsu e Mummu), entre os antigos babilônios; Ninurta contra Anzu, na civilização suméria; Hércules contra Cérbero (o horrível cão de três cabeças que Hércules tinha de capturar como parte de suas 12 tarefas), entre os gregos.
O antropólogo David Gilmore nota inclusive que muitos mitos de criação começam com a existência de algum monstro que precisa ser derrotado antes mesmo de os humanos poderem emergir da escuridão e povoarem o recém-criado Universo. O estudioso fez uma longa pesquisa sobre os monstros de inúmeras culturas e escreveu o livro "Monsters: Evil Beings, Mythical Beasts, and All Manner of Imaginary Terrors" (“Monstros: seres do mal, bestas míticas e todas as formas de terrores imaginários”, sem tradução para o português), no qual nota um surpreendente padrão entre os seres imaginários de todo o mundo.
Bibi-Saint Paul / Wikimedia Commons Antigo vaso grego mostra o herói Hércules brigando com o cão de três cabeças Cérbero |
Na obra, Gilmore descreve uma porção de monstros encontrados no imaginário de diversos povos e sociedades. Indígenas do Canadá, como as tribos Ojibwa, Cree e Saulteaux, por exemplo, acreditam em um ser chamado Windigo, que tem um coração de gelo e devora humanos. No estado norte-americano de Nova York, os Iroquois são aterrorizados por criaturas conhecidas como “gigantes de pedra”, demônios que se escondem em florestas e comem caçadores desprevenidos. No Sul dos Estados Unidos, os Cherokees temem a uktena, uma terrível serpente aquática.
Reprodução / Norval Morrisseau O Windigo, monstro da cultura indígena, tem coração de gelo e devora humanos |
Apesar das distâncias geográficas e temporais, todos esses monstros possuem grandes semelhanças. Uma das principais é que eles geralmente vivem na periferia de onde se encontram os humanos: nas montanhas que circundam uma cidade, nas florestas ou desertos em volta dela, dentro dos rios que a limitam. Além disso, eles são sempre muito violentos em relação a nós, humanos. Para completar, são famosos comedores de carne humana. E isso em todo o mundo e em qualquer época. “Até onde a antropologia pode nos dizer, mesmo os mais ‘primitivos’ caçadores e coletores da pré-história tinham ogros ou monstros imaginários em seu folclore e tradições orais. Eu não consigo pensar em nenhuma cultura que não possua ‘monstros’ em seu bestiário mitológico”, afirma Gilmore.
O fato de os monstros serem quase sempre violentos em relação a humanos e adorarem nossa carne é facilmente explicado pela já comentada lenta transformação de animais predadores nessas criaturas imaginárias. A usual localização dos monstros nas periferias igualmente parece ser uma ferramenta evolutiva para assegurar a sobrevivência da nossa espécie. “Nós humanos tendemos a povoar lugares desconhecidos e perigosos com demônios e ogros, o que nos dá razão para evitar esses locais”, explica o antropólogo.
Lendas dos antigos gregos
John Flaxman / Domínio público Odisseu serve aos caprichos do ciclópe Polifemo, antes de cegá-lo |
A noção de diferente e estranho, no caso, era percebida no aspecto físico dos monstros, que geralmente destoavam da aparência humana e eram inspirados na diversidade da natureza, podendo ser uma mistura de vários animais: mamíferos, aves, seres marinhos, répteis. Essa seria outra grande semelhança entre os monstros de todo o mundo: eles em geral são figuras híbridas e grotescas, combinando homem e animal, como o minotauro, ou apenas diferentes espécies animais. Algumas dessas características horrendas que mais se impregnaram no imaginário popular foram a cauda e o pescoço compridos, geralmente em formato de serpente, que chegaram mesmo a escapar dos mitos e povoar as cartas náuticas dos cartógrafos das Idades Média e Moderna.
Domínio público A luta de Teseu com o minotauro (monstro metade homem, metade touro) , representada em figura pintada em cerâmica do século 6 |
Foi assim com o último herói da Idade Média, Dom Quixote, que saiu pelo mundo para caçar gigantes mas em vez destes só encontrou moinhos de vento. Na saga humorística escrita por Miguel de Cervantes no início do século 17 não há monstros. Como assinala Ortega y Gasset em "Meditações sobre o Quixote", a história do cômico cavaleiro foi criada numa época em que surge uma interpretação mecanicista do mundo, nos primórdios da filosofia moderna e da chamada “Era da Razão”. Sem monstros, o cavaleiro vê-se então lutando contra um ambiente duro, que não corresponde mais à busca do herói clássico.
O monstro dentro dos humanos
ComoTudoFunciona Frankenstein, um dos monstros criados pelos humanos, é retratado no livro de Mary Shelley |
Esses monstros ou eram criação humana, como a criatura de "Frankenstein" (Mary Shelley); ou faziam parte dos homens, como em "O Médico e o Monstro" (Robert Louis Stevenson); ou eram o próprio homem, como em "A Metamorfose" (Franz Kafka). E, a exemplo do clássico de Cervantes, cada uma dessas e de outras obras famosas nos apresentam monstros que se encaixam no significado original de “advertência” do termo.
Em "A Metamorfose", por exemplo, o caixeiro-viajante Gregor Samsa se descobre transformado num inseto monstruoso ao acordar em casa numa certa manhã. Em pouco mais de 100 páginas, Kafka conta a rápida história de alienação e abandono ao qual Samsa se vê mergulhado, até morrer ignorado pela família e pela própria sociedade da época. Seria uma “advertência” à impessoalidade do mundo contemporâneo, que poderia gerar uma “desumanização” dos seres humanos.
Monstros criados pela ciência
Reprodução / japan-zone.com O filme japonês Godzilla mostra um monstro criado pela ciência |
Os filmes pós-Segunda Guerra Mundial com monstros gigantes, que geralmente são explicados como consequências da era nuclear, fazem parte dessa tradição. Godzilla e afins nos remetem então ao significado original da palavra monstro: aquele que alerta. O mau uso da tecnologia e a viagem ao desconhecido são caminhos que podem ocultar monstros, estejam eles no espaço exterior, estejam eles no microcosmo do nosso próprio planeta.
Com a grande expansão do conhecimento geográfico no século passado, graças a tecnologias como o satélite, o radar e o sonar, nossos monstros mudaram de lugar. Deixaram de habitar as geleiras, como nos livros do norte-americano H. P. Lovecraft, ou os lagos profundos da Escócia, como o querido monstro do lago Ness. Eles agora habitam outros planetas, e, assim como as serpentes nas cartas náuticas, estão apenas esperando que nossas naves um dia cheguem lá (o que acontece na série "Alien"). Ou se escondem num universo tão desconhecido quanto o espaço cósmico: o mundo dos micróbios. Nos filmes Extermínio (28 Days Later, 2002), Extermínio 2 (28 Weeks Later, 2007) e Eu sou a Lenda (I'm the Legend, 2007), os morto-vivos, zumbis ou vampiros, como se queira chamá-los, são criados por uma epidemia de vírus. Da escala interplanetária à microscópica, os monstros estão sempre lá, naquele lugar em que não podemos enxergar.
Divulgação Cena do filme 'Extermínio'. Vírus transforma a humanidade em zumbis comedores de gente |
Divulgação O filme 'Guerra dos Mundos' retrata alienígenas como monstros invasores e destruidores da humanidade |
Depois, foi a vez de o horror de uma possível guerra biológica entre as duas potências mundiais passar a povoar nossos pesadelos, o que piorou com a escalada do terrorismo mundial nos últimos anos. A criação e o uso de vírus como potenciais armas de destruição em massa é uma ideia atemorizante não só porque os vírus representariam necessariamente morte certa, mas porque poderiam deixar sequelas ou transformar os humanos em verdadeiros monstros – e é nessa fonte que bebem os já citados Extermínio e Eu sou a Lenda.
Isso tudo é ainda mais perturbador se levarmos em conta que desde sempre nossa espécie tem enfrentado assustadores casos de epidemias causadas por vírus ou bactérias que eventualmente deixavam milhares ou milhões de pessoas desfiguradas ou seriamente doentes enquanto não morriam, como nos surtos de peste bubônica na Idade Média e nos ataques do Ebola na África contemporânea.
Mais recentemente, uma séria candidata no terreno do microcosmo a povoar nosso medo pelo desconhecido é a nanotecnologia – o autor americano de best-sellers de ficção científica Michael Crichton chegou a lançar um romance sobre o tema há poucos anos, "Presa", no qual uma experiência científica dá errado e uma porção de microrrobôs que podem se autorreproduzir começam a eliminar todos à sua volta.
Mas temos que admitir que os monstros não evocam apenas medo puro e primitivo. Os seres da animação Monstros SA (2000) e o ogro de Shrek (2000) são ótimos exemplos. Eles não dão sustos, pelo contrário, nos fazem rir. Os monstros, então, podem existir não apenas como um vestígio evolutivo, mas como alegorias subliminares.
Monstros invisíveis da sociedade moderna
National Park Service A sociedade moderna tem seus monstros invisíveis, como o terrorismo, a criminalidade e a imigração |
Além disso, novos medos e desafios surgem com o passar do tempo, o que, para o helenista Donaldo Schüller, significa novas metamorfoses para os monstros. Na Grécia Antiga e em outras civilizações, os monstros eram aquelas criaturas horrendas à espera do herói em lugares distantes. Hoje, estão dentro das cidades e podem muitas vezes ser abstratos e invisíveis. Criminalidade, imigração, terrorismo, os já citados vírus e bactérias e até problemas como o aquecimento global e a repressão do Estado estariam incluídos nessa lista. “O monstro sempre diz respeito ao que os homens desconhecem, mas o problema não é o monstro em si – é como nos portamos diante dele”, diz o professor. “Os heróis gregos resolviam isso por meio da violência, mas Platão e outros pensadores nos ensinaram que podemos ‘enfrentar’ o outro, o estranho, por meio da compreensão, da tolerância e do entendimento.”
Kai Schreiber / Creative Commons O mítico dragão é um monstro do bem na cultura oriental, mas do mal, na ocidental |
O antropólogo David Gilmore concorda. Em sua opinião, o dragão se tornou uma imagem tão poderosa e emblemática no imaginário coletivo mundial porque é “o” monstro perfeito. “Os dragões combinam elementos de diferentes animais encontrados em todo o mundo, como aves, répteis, mamíferos e às vezes até insetos, por isso simboliza um poder além do ordinário”, explica, chamando atenção para o fato de que monstros voadores que cospem fogo já aparecem na epopeia de Gilgamesh.
Em "O Livro dos Seres Imaginários", o escritor argentino Jorge Luis Borges também comenta o fascínio que sentimos por esses monstros. “Ignoramos o sentido do dragão, como ignoramos o sentido do Universo, mas em sua imagem existe alguma coisa que se coaduna com a imaginação dos homens, e assim o dragão surge em diferentes latitudes e idades.”
Quer sejam dragões, gigantes, ogros, quer sejam alienígenas, os monstros têm sempre acompanhado a história da humanidade com suas advertências gerais a sociedades inteiras ou revelações pessoais sobre nossa natureza individual, mostrando nossas limitações e reforçando nossa coragem. Apesar disso, é irônico que seja tão difícil para nós, que os criamos, responder às perguntas que Paul Shepard se faz na introdução de "The Others": “Qual é a finalidade dessas criaturas imaginárias? Elas são realmente substitutas para animais comuns ou têm seus próprios propósitos? O que são elas, de onde vêm e o que fazem aqui?”
A resposta é inconclusiva. Até onde sabemos, o Universo é um lugar frio e vazio de vida. O planeta Terra, até agora, é a única exceção. Nossas criaturas imaginárias, nossos monstros, dão um certo colorido a esse Cosmos aborrecido. Como escreveu David Quammen no fim de "O Monstro de Deus", “a única coisa mais pavorosa do que chegar a LV-426 [o planeta do filme Alien] e encontrar um ninho de aliens, desconfio, seria chegar lá, e no planeta inexplorado seguinte, e no seguinte, e não encontrar nada”. Por algum estranho motivo, para a nossa espécie é muito mais assustadora a ideia de um mundo sem monstros do que a de um Universo cheio dessas criaturas.
Artigo Retirado:http://pessoas.hsw.uol.com.br/monstros.htm
Poucas palavras sintetizam tanto o horror, a miséria e a maldição quanto a palavra "peste". Afinal de contas, as doenças infecciosas causaram muitos danos durante séculos. Elas dizimaram populações inteiras, exterminaram raças, causaram mais mortes que as guerras (em inglês) e desempenharam um papel importante no decorrer da história.
Os homens primitivos encontravam os micróbios que causavam as doenças no ambiente em que viviam, na água que bebiam, no alimento que consumiam. Eventualmente, um surto podia dizimar um pequeno grupo, mas eles nunca se depararam com nada semelhante às doenças dos períodos históricos seguintes. Só depois que o homem começou a formar grupos populacionais maiores é que as doenças contagiosas começaram a se disseminar em proporções epidêmicas.
iStockphoto.com/Neil German
Um ator finge ser o Anjo da Morte para uma pequena multidão. Ironicamente, o surgimento das doenças epidêmicas acompanha de perto o aumento das cidades populosas.
Uma epidemia ocorre quando uma doença afeta, de forma desproporcional, uma grande quantidade de pessoas dentro de uma determinada população, como uma cidade ou uma região geográfica. Se ela atinge números ainda maiores e uma área mais ampla, esses surtos se transformam em pandemias.Os seres humanos também ficaram mais expostos a novas doenças fatais domesticando animais, que já possuem seus próprios micróbios. Ficando em contato direto com animais antigamente selvagens, os primeiros criadores deram a esses micróbios a chance de se adaptarem a hospedeiros humanos.
Conforme o homem foi ampliando seu território, ficou mais em contato com os micróbios que, de outra forma, poderia nunca ter encontrado. Com o armazenamento de comidda, o homem atraiu criaturas que se alimentam de lixo, como ratos e camundongos, que carregavam mais micróbios. A expansão humana também resultou na construção de mais poços e canais que, com suas águas paradas, eram lugares ideais para os mosquitos portadores de doenças. Como a tecnologia permitiu viagens e comércios mais distantes, novos microorganismos conseguiram se espalhar com mais facilidade de uma região altamente populosa para outra.
Ironicamente, muitos dos pilares da sociedade humana moderna abriram caminho para uma de suas maiores ameaças. E com o nosso desenvolvimento, os micróbios também evoluem.
Neste artigo, veremos 10 das piores epidemias que assolaram a humanidade e saberemos como funciona cada doença.
Varíola
Antes que os exploradores, conquistadores e colonizadores europeus começassem a encher o Novo Mundo no início de 1500, as Américas eram a casa de aproximadamente 100 milhões de nativos. Durante os séculos que se seguiram, as doenças epidêmicas reduziram esse número para algo entre 5 e 10 milhões [fonte: Yount]. Embora esses povos, como os incas e os astecas (em inglês), tenham construído cidades, elas não moravam nelas tempo suficiente para propagarem o tipo de doenças que os europeus possuíam, nem tinham domesticado tantos animais. Quando os europeus chegaram às Américas, levaram consigo uma grande quantidade de doenças, para as quais os nativos não tinham defesa nem imunidade.
Hulton Archive/Getty Images
Essa pintura representa a conquista da capital asteca Tenochtitlán pelo explorador espanhol Hernando Cortez, em 13 de agosto de 1521. O que garantiu sua vitória não foi nenhuma arma de fogo moderna, mas a varíola que os conquistadores levaram acidentalmente para o continente.
A principal dessas doenças foi a varíola, causada pelo vírus da varíola. Esse vírus começou a afetar os humanos há milhares de anos, sendo que a forma mais comum da doença foi responsável por uma taxa de mortalidade de 30% [fonte: CDC]. A varíola provoca febre alta, dores no corpo e erupções que logo passam de protuberâncias e crostas cheias de líquido para cicatrizes permanentes. A doença é transmitida principalmente pelo contato direto com a pele ou com os líquidos do corpo de uma pessoa infectada, mas também pode se espalhar pelo ar em ambientes fechados.
O poder da varíola em exterminar populações nativas foi um efeito inesperado da presença das forças européias na América do século 16. Entretanto, as epidemias posteriores nem sempre foram tão acidentais. Durante a guerra franco-indígena de 1763, o comandante britânico Sir Jeffrey Amherst foi responsável pela contaminação das tribos Ottawa. As tropas deram aos índios cobertores infectados. Hoje, com a varíola erradicada no mundo todo, surgiu o medo de que o vírus pudesse ser usado em um ataque terrorista contra uma população não vacinada. |
Apesar da criação de uma vacina, em 1796, a epidemia da varíola continuou se espalhando. Em 1967, o vírus matou dois milhões de pessoas e assustou outras milhares em todo o mundo [fonte: Choo]. Nesse mesmo ano, a OrganizaçãoMundial liderou uma campanha para erradicar o vírus por meio de vacinações em massa. Como resultado, 1977 marcou o último caso de varíola que ocorreu naturalmente. Efetivamente eliminada do mundo natural, a doença existe apenas em laboratório.
Saiba na próxima página como e por que a gripe de 1918 matou milhões de pessoas.
Gripe de 1918
Em 1918, o mundo assistia ao fim da Primeira Guerra Mundial. No fim daquele ano, o número estimado de mortos chegaria a 37 milhões no mundo inteiro e milhões de soldados tentavam voltar para casa. Então, surgiu uma nova doença. Alguns a chamaram de gripe espanhola, outros de a grande gripe ou ainda de gripe de 1918. Independe disso, a doença matou aproximadamente 20 milhões de pessoas em questão de meses [fonte: Yount]. Em um ano, a gripe desapareceria, mas apenas depois de causar um número espantoso de mortes. As estimativas globais variam entre 50 e 100 milhões de fatalidades naquele ano [fonte: NPR]. Muitos a consideram a pior epidemia (depois pandemia) registrada na história da humanidade.
Hulton Archive/Getty Images
Enfermeiras cuidam de vítimas da epidemia de gripe espanhola de 1918 dentro de barracas de lona, em Massachusetts
A gripe de 1918 não foi causada pelo vírus típico da gripe que vemos anualmente. Era uma nova cepa de micróbio da gripe, o vírus A da gripe aviária H1N1. Os cientistas suspeitam que a doença tenha sido transmitida dos pássaros para os humanos no meio-oeste americano pouco antes do surto. Foi batizada, posteriormente, de gripe espanhola depois que uma epidemia na Espanha matou 8 milhões de pessoas [fonte: NPR].
No mundo inteiro, o sistema imunológico das pessoas estava totalmente despreparado para o novo vírus - assim como os astecas não esperavam a chegada da varíola, por volta de 1500. O transporte de tropas e as linhas de abastecimento no fim da Primeira Guerra Mundial permitiram que o vírus chegasse rapidamente a proporções pandêmicas, espalhando-se para outros continentes e países.
Em 2005, os pesquisadores recriaram o vírus A da gripe aviária H1N1 a partir de material genético encontrado nos pulmões das vítimas da gripe de 1918. Os cientistas esperam que, com o estudo do vírus fatal, eles possam se preparar melhor para futuros surtos dos novos vírus da gripe. |
A gripe de 1918 apresentava os sintomas típicos de uma gripe normal, como febre, náusea, dores e diarréia. Além disso, os pacientes freqüentemente desenvolviam manchas escuras nas bochechas. Quando seus pulmões se enchiam de líquido, eles corriam o risco de morte por falta de oxigênio. Aqueles que morreram se afogaram com a própria secreção.
A epidemia desapareceu em um ano, quando o vírus mudou para outras formas menos fatais. A maioria das pessoas, hoje, apresenta algum grau de imunidade a essa família de vírus H1N1, herdada daqueles que sobreviveram à pandemia.
Continue lendo para conhecer a peste negra, que afetou as mentes criativas da época.
Peste negra
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Essa pintura de 1656 representa um médico usando roupa e máscara de proteção
Considerada a primeira doença verdadeiramente pandêmica, a peste negra matou metade da população da Europa, em 1348, e dizimou partes da China e da Índia. Essa "grande agonia" seguiu os caminhos do tráfico e da guerra, exterminando cidades e mudando para sempre a estrutura das classes, as políticas globais, o comércio e a sociedade.
Por muito tempo, a peste negra foi considerada uma epidemia de peste, viajando em sua forma bubônica nas pulgas de rato, e pelo ar, na forma pneumônica. Estudos recentes colocaram isso em dúvida. Alguns cientistas afirmam que a peste negra pode ter sido um vírus hemorrágico semelhante ao ebola. Essa forma de doença resulta em forte hemorragia. Os cientistas continuam estudando material genético de supostas vítimas da peste na esperança de descobrir provas genéticas que confirmem suas teorias.
Causada pela bactéria Yersinia pestis, a doença ainda pode representar um problema em áreas pobres e infestadas por ratos. A medicina moderna permite o tratamento fácil da doença em seus estágios iniciais, tornando-a uma ameaça bem menos fatal. Os sintomas são glândulas linfáticas inchadas, febre, tosse, muco com sangue e dificuldade para respirar.
A peste negra teve um grande efeito na arte e na literatura do período em que ocorreu. Poetas, pintores e escultores da época ficaram preocupados com a morte e com a vida futura. Séculos depois, quando a humanidade enfrentou epidemias modernas (como a AIDS, por exemplo) e refletiu sobre as pestes anteriores, as visões da crise pandêmica também podem ser vistas nos meios de comunicação. |
Depois que ler a página sobre malária, você não vai se sentir culpado por matar o próximo mosquito que pousar na sua pele.
Malária
A malária não é novidade para o mundo das doenças epidêmicas. Há registros de seu impacto nas populações humanas de mais de 4 mil anos atrás, quando os escritores gregos observaram seus efeitos destruidores. A descrição da doença transmitida por mosquito surgiu nos textos médicos antigos da Índia e da China. Até então, os cientistas associavam a doença às águas paradas onde os mosquitos proliferavam.
A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium comuns a duas espécies: mosquitos e seres humanos. Quando os mosquitos infectados se alimentam do sangue humano, eles transmitem esses protozoários. Uma vez no sangue, eles crescem dentro dos glóbulos vermelhos, destruindo-os. Os sintomas variam de moderados a fatais, mas, normalmente, incluem febre, calafrios, sudorese, cefaléia e dores musculares.
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Organizadores preparam o maior mosquiteiro do mundo para o African Summit on Roll Back Malaria (Conferência Africana para a Redução da Malária), em 2000. A doença continua matando, anualmente, mais de um milhão de pessoas na África subsaariana.
Há uma grande dificuldade de se obter números específicos relacionados às antigas epidemias de malária. É possível ver melhor os efeitos anteriores da doença se analisarmos os grandes empreendimentos nas regiões infestadas pela malária. Em 1906, os Estados Unidos empregaram mais de 26 mil trabalhadores para a construção do Canal do Panamá. Os organizadores hospitalizaram mais de 21 mil deles por conta da doença [fonte: CDC].
Apenas na Guerra Civil Americana (em inglês), 1.316.000 homens supostamente tiveram a doença e 10 mil morreram. Durante a Primeira Guerra Mundial, a malária imobilizou as forças britânicas, francesas e alemãs durante três anos. Aproximadamente, 60 mil soldados norte-americanos morreram da doença na África e no Pacífico Sul durante a Segunda Guerra Mundial [fonte: site da malária].
No fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos tentaram impedir a epidemia da malária. No início, o país progrediu bastante usando o inseticida DDT (Dicloro-difenil-tricloroetano), hoje proibido, e depois, tomou medidas preventivas para manter baixas as populações do mosquito. Depois que o CDC (Centro de Controle de Doenças) declararou que a malária tinha sido erradicada nos Estados Unidos, a Organização Mundial da Saúde começou a erradicá-la no mundo inteiro. Entretanto, os resultados foram heterogêneos e os custos, a guerra, a política, assim como o surgimento de mosquitos resistentes a inseticidas e de cepas de malária resistentes aos medicamentos, finalmente, levaram ao abandono do projeto.
Atualmente, a malária continua representando um problema em boa parte do mundo, especialmente na África (em inglês) subsaariana, área que foi excluída da campanha de erradicação da OMS. Anualmente, entre 350 e 500 milhões de casos de malária ocorrem na região [fonte: CDC]. Desses casos, mais de 1 milhão resultam em morte. Mesmo nos Estados Unidos, ocorrem mais de mil casos e várias mortes por ano, apesar das declarações anteriores de erradicação.
A seguir, conheça uma doença que afetou a espécie humana desde os tempos das múmias do Egito antigo.
Tuberculose
A tuberculose causou grande impacto na humanidade e destruiu populações. Os textos antigos detalham a maneira como as vítimas da doença eram afetadas. Houve, inclusive, evidências de DNA da doença descobertas em múmias egípcias.
Provocada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a tuberculose é transmitida de pessoa para pessoa através do ar. A bactéria geralmente chega aos pulmões, causando dores no peito, fraqueza, perda de peso (em inglês), febre, sudorese noturna e crises de tosse com sangue. Em alguns casos, a bactéria também afeta o cérebro, os rins ou a coluna vertebral.
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Mãe e filho esperam atendimento em um hospital público na periferia de Kolkata, Índia, onde a tuberculose é um grande problema de saúde pública
No início do século 17, a epidemia de tuberculose na Europa, conhecida como a grande peste branca, matou aproximadamente uma em cada sete pessoas infectadas. A tuberculose era um problema comum na América colonial. Mesmo no fim do século 19, 10% de todas as mortes nos Estados Unidos eram atribuídas à tuberculose [fonte: Departamento de Saúde e Serviços Públicos de Nebrasca].
Em 1944, os médicos desenvolveram o antibiótico estreptomicina, usado no combate à doença. Foram feitos mais avanços nos anos seguintes e, depois de 5 mil anos de sofrimento, a humanidade finalmente tinha uma cura para o que os gregos antigos chamavam de tísica, "a doença devastadora".
Apesar das curas e dos tratamentos modernos, a tuberculose continua infectando cerca de 8 milhões de pessoas anualmente, matando, conseqüentemente, cerca de 2 milhões [fonte: Departamento de Saúde e Serviços Públicos de Nebrasca]. A doença reapareceu com força na década de 90 devido à falta de programas de prevenção e tratamento, à pobreza mundial e ao surgimento de novas cepas resistentes a antibióticos. Além disso, pacientes com HIV/AIDS ficam com o sistema imunológico comprometido, tornando-se mais suscetíveis à doença. Assim como o vírus da AIDS se propagou em todo o mundo, a tuberculose também reapareceu.
Leia a próxima página para saber por que a hidratação com líquidos e as bebidas esportivas podem ajudar se você foi diagnosticado com cólera.
Cólera
As pessoas da Índia sempre conviveram com os perigos da cólera, mas somente após o século 19 o resto do mundo conheceu essa doença. Durante esse período, os navios mercantes exportavam acidentalmente a bactéria mortal para cidades da China, do Japão, da África do Norte, do Oriente Médio e da Europa. Seguiram-se seis pandemias de cólera que mataram milhões de pessoas.
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Um pai carrega o filho doente durante o surto de cólera, em 1994. Esse surto tirou milhares de vidas em Goma, Zaire, depois que um milhão de pessoas fugiram da guerra em Ruanda.
A cólera é causada por uma bactéria intestinal chamada Vibrio cholerae. As infecções geralmente são moderadas. Cerca de 5% das pessoas que contraem a doença apresentam vômito, diarréia e cãibras fortes nas pernas - sintomas que levam rapidamente à desidratação grave e à queda acentuada da pressão arterial. Pode-se contrair a bactéria através de contato físico direto com pessoa contaminada, mas a cólera se propaga principalmente pela água e pelos alimentos contaminados.
Devido às condições duras e miseráveis das principais cidades da Europa durante a revoluçâo industrial (em inglês) no início do século 19, a cólera novamente se propagou. Os médicos exigiam condições de vida melhores e mais sistemas de esgoto sanitário, achando que o "ar ruim" era o responsável pela epidemia. Essa medida ajudou bastante, mas foi somente depois que a doença foi associada à água contaminada que a quantidade de casos diminuiu consideravelmente.
Durante décadas, a cólera foi esquecida - parecia ser apenas uma doença do século 17, derrotada pelas melhorias no saneamento e na medicina. No entanto, uma nova cepa da cólera surgiu em 1961, na Indonésia, tendo se espalhado para boa parte do mundo. A pandemia resultante continua até hoje. Em 1991, a cólera debilitou cerca de 300 mil pessoas e matou 4 mil [fonte: Yount].
Como a AIDS é notícia com freqüência, a doença acabou inspirando muitos filmes, peças, programas de TV e livros premiados. Conheça na próxima página essa doença incurável.
AIDS
O surgimento da AIDS, nos anos 80, levou a uma pandemia mundial, matando cerca de 25 milhões de pessoas desde 1981. De acordo com estatísticas recentes, 33,2 milhões de pessoas são HIV-positivas e 2,1 milhões de pessoas morreram de AIDS apenas em 2007 [fonte: Avert].
Yoav Lemmer/AFP/Getty Images
Um banner contra a AIDS na cidade de Gaborone, na Botsuana, em outubro de 1999. Na época, mais de um em cada quatro adultos, em Botsuana, estavam infectados com o vírus HIV/AIDS.
A AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) é causada pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana). O vírus é transmitido pelo contato com sangue, sêmen e outros líquidos do corpo, e afeta o sistema imunológico humano. Com o sistema imunológico enfraquecido, abrem-se caminhos para infecções, chamadas de infecções oportunistas, que, de outra forma, não representariam um problema. A infecção pelo vírus HIV se transforma em AIDS quando o sistema imunológico é gravemente afetado.
Os cientistas acreditam que o HIV foi transmitido aos humanos através de certas espécies de macacos e símios em meados do século 20. Durante a década de 70, a população da África cresceu e a guerra, a pobreza e o desemprego assolaram as áreas urbanas. A prostituição e o abuso de drogas injetáveis chegaram ao caos, e o HIV passou a ser transmitido através de relações sexuais sem preservativos (em inglês) e da reutilização de seringas e agulhas contaminadas. Mesmo nos hospitais, o reaproveitamento de seringas e agulhas, e as transfusões de sangue contribuíram para a epidemia.
Ainda não há cura para a AIDS, embora certos medicamentos possam impedir que o HIV se transforme na doença. Outros medicamentos podem ajudar a combater as infecções oportunistas. Várias organizações promoveram campanhas de tratamento, conhecimento e prevenção da AIDS. Como já mencionamos, o HIV geralmente é transmitido através da relação sexual e do uso de agulhas compartilhadas. Os médicos continuam recomendando o uso de preservativos e agulhas descartáveis.
A seguir, conheça uma doença que fez Napoleão parar - a febre amarela.
Febre amarela
Quando os europeus começaram a importar escravos africanos para as Américas, eles também levaram uma série de novas doenças, como a febre amarela. Essa doença arrasou as colônias, dizimando fazendas e até grandes cidades.
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Uma moradora de Águas Lindas, em Goiás, é vacinada contra a febre amarela durante uma epidemia em 2008
Quando o imperador da França, Napoleão Bonaparte, enviou um exército com 33 mil homens às terras francesas na América do Norte, a febre amarela matou 29 mil deles. Napoleão ficou tão chocado com a quantidade de mortos que decidiu que o território não valia o risco de mais perdas. A França vendeu essas terras aos Estados Unidos em 1803 - um acontecimento conhecido na história como a Compra da Louisiana (em inglês) [fonte: Yount].
A febre amarela, assim como a malária, é transmitida de uma pessoa a outra através da picada de mosquitos. Os sintomas são febre, calafrios, cefaléia, dor muscular, dor nas costas e vômito. A gravidade dos sintomas varia de moderada a fatal e as infecções graves podem levar a sangramento, choque e insuficiência renal e hepática. A insuficiência hepática provoca ictéria (em inglês), ou seja, a coloração amarelada da pele, que dá à doença seu nome.
Apesar da vacinação, dos procedimentos de tratamento aprimorados e do controle do mosquito, as epidemias da doença persistem até hoje na América do Sul e na África.
Leia a próxima página para descobrir por que os soldados nas guerras não tinham somente que se esquivar das balas, mas também do tifo epidêmico.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) continua lutando contra epidemias em todo o mundo - incluindo o tabagismo e a obesidade. A obesidade clínica afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo inteiro, aumentando o risco de doença crônica grave e diminuindo a qualidade de vida [fonte: OMS]. Quanto aos cigarros, a OMS estima que, em 20 anos, o tabagismo causará mais mortes do que o HIV, a tuberculose e as mortes violentas, todos juntos [fonte: BBC].
Tifo epidêmico
Aglomere uma certa quantidade de pessoas em péssimas condições de higiene e você provavelmente terá uma infestação de piolhos. As cidades miseráveis e as tropas acampadas, por toda a história, tiveram que suportar as ameaças dos parasitas e das bactérias devastadoras. O minúsculo micróbio Rickettsia prowazekii causa uma das doenças infecciosas mais arrasadoras que o mundo já viu: o tifo epidêmico.
George Rodger/Time & Life Pictures/Getty Images
Essa foto de 1945, mostra um soldado britânico pulverizando uma prisioneira recém-libertada das condições imundas no campo de concentração de Bergen-Belsen - medida necessária para combater o tifo epidêmico.
Essa doença assolou a humanidade durante séculos, causando milhares de mortes. Dada sua freqüência entre as tropas acampadas, geralmente era chamada de "febre do campo" ou "febre da guerra". Durante a Guerra dos trinta anos (em inglês) [1618-1648], na Europa, o tifo, a peste e a fome atingiram cerca de 10 milhões de pessoas. Algumas vezes, os surtos de tifo determinaram o resultado de guerras inteiras [fonte: Conlon].
Quando as forças espanholas ficaram cercadas na fortaleza moura (em inglês) de Granada, em 1489, um surto de tifo fez com que passassem de 25 mil para 8 mil soldados em um único mês [fonte: Conlon]. Devido à destruição causada pela doença, passou-se mais um século sem que os espanhóis conseguissem expulsar os mouros da Espanha. Tão recente quanto a Primeira Guerra Mundial, a doença provocou milhões de mortes na Rússia, na Polônia e na Romênia.
Os sintomas do tifo epidêmico normalmente são cefaléia, falta de apetite, mal-estar e um rápido aumento da temperatura, que logo se transforma em febre, acompanhada de calafrios e náusea. Se não for tratada, a doença afeta a circulação sangüínea, resultando em pontos de gangrena, em pneumonia e em insuficiência renal. A febre muito alta pode evoluir para um quadro de delírio, coma e insuficiência cardíaca.
Melhores métodos de tratamento e condições sanitárias diminuíram bastante o impacto do tifo epidêmico nos tempos modernos. O surgimento de uma vacina contra o tifo durante a Segunda Guerra Mundial e o uso difundido de DDT em populações com piolho ajudaram a eliminar efetivamente a doença no mundo desenvolvido. Os surtos ainda ocorrem em partes da América do Sul, da África e da Ásia.
Leia a próxima página para saber por que o saneamento e as condições de vida mais adequadas deixaram muitas pessoas expostas a uma doença (literalmente) paralisante.
Poliomielite
Os pesquisadores suspeitam que a poliomielite foi uma epidemia que atingiu os humanos durante milênios, paralisando e matando milhares de crianças. Por volta de 1952, estima-se que houve 58 mil casos da doença apenas dos Estados Unidos - 1/3 dos pacientes estava paralisado. Desses, mais de 3 mil morreram.
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Um operário, em 1956, no Glaxo Laboratories, mistura três cepas distintas de poliovírus mortos para preparar a vacina final
A causa da poliomielite é o poliovírus, que atinge o sistema nervoso do homem. Dissemina-se por material fecal, normalmente sendo transmitido através de água e alimento contaminados. Os sintomas iniciais são febre, fadiga, cefaléia, vômito, rigidez e dor nos membros. Com isso, aproximadamente 1 em 200 casos evolui com paralisia [fonte: OMS]. Embora normalmente afete as pernas, a doença às vezes atinge os músculos respiratórios geralmente com resultados fatais.
A poliomielite ocorre com mais freqüência em crianças, mas também pode atingir adultos. Tudo depende de quando a pessoa encontra o vírus pela primeira vez e desenvolve sua primeira infecção. O sistema imunológico está mais bem preparado para combater a doença em crianças, por isso, quanto mais idade a pessoa tiver na primeira infecção, maior será o risco de paralisia e de morte.
A poliomielite é uma enfermidade antiga para o homem e circula pelo mundo há séculos. Com a elevada exposição ao vírus, a imunidade ficou mais alta, especialmente em crianças. No século 18, os métodos de saneamento melhoraram em muitos países. Isso limitou a disseminação da doença, diminuiu a imunidade natural e as chances de exposição ainda na infância. Conseqüentemente, uma quantidade cada vez maior de pessoas mais velhas contraiu o vírus e o número de casos de paralisia nas nações desenvolvidas disparou.
Não existe uma cura efetiva para a poliomielite, mas os médicos aperfeiçoaram a vacina contra a doença no início da década de 50. Desde então, os casos nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos caíram drasticamente, e apenas algumas nações em desenvolvimento ainda apresentam a doença em níveis epidêmicos. Como os seres humanos são os únicos portadores conhecidos do vírus, a vacinação em massa praticamente garante a extinção da poliomielite. Em 1988, a Organização Mundial da Saúde organizou a Iniciativa de Erradicação Global da Poliomielite para alcançar esse objetivo.
Fonte: Como tudo funciona.

