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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 Tags: 1 comentários

As dez piores epidemias

Poucas palavras sintetizam tanto o horror, a miséria e a maldição quanto a palavra "peste". Afinal de contas, as doenças infecciosas causaram muitos danos durante séculos. Elas dizimaram populações inteiras, exterminaram raças, causaram mais mortes que as guerras (em inglês) e desempenharam um papel importante no decorrer da história.

Os homens primitivos encontravam os micróbios que causavam as doenças no ambiente em que viviam, na água que bebiam, no alimento que consumiam. Eventualmente, um surto podia dizimar um pequeno grupo, mas eles nunca se depararam com nada semelhante às doenças dos períodos históricos seguintes. Só depois que o homem começou a formar grupos populacionais maiores é que as doenças contagiosas começaram a se disseminar em proporções epidêmicas.

epidemias
iStockphoto.com/Neil German
Um ator finge ser o Anjo da Morte para uma pequena multidão. Ironicamente, o surgimento das doenças epidêmicas acompanha de perto o aumento das cidades populosas.

Uma epidemia ocorre quando uma doença afeta, de forma desproporcional, uma grande quantidade de pessoas dentro de uma determinada população, como uma cidade ou uma região geográfica. Se ela atinge números ainda maiores e uma área mais ampla, esses surtos se transformam em pandemias.Os seres humanos também ficaram mais expostos a novas doenças fatais domesticando animais, que já possuem seus próprios micróbios. Ficando em contato direto com animais antigamente selvagens, os primeiros criadores deram a esses micróbios a chance de se adaptarem a hospedeiros humanos.

Conforme o homem foi ampliando seu território, ficou mais em contato com os micróbios que, de outra forma, poderia nunca ter encontrado. Com o armazenamento de comidda, o homem atraiu criaturas que se alimentam de lixo, como ratos e camundongos, que carregavam mais micróbios. A expansão humana também resultou na construção de mais poços e canais que, com suas águas paradas, eram lugares ideais para os mosquitos portadores de doenças. Como a tecnologia permitiu viagens e comércios mais distantes, novos microorganismos conseguiram se espalhar com mais facilidade de uma região altamente populosa para outra.

Ironicamente, muitos dos pilares da sociedade humana moderna abriram caminho para uma de suas maiores ameaças. E com o nosso desenvolvimento, os micróbios também evoluem.

Neste artigo, veremos 10 das piores epidemias que assolaram a humanidade e saberemos como funciona cada doença.

Varíola

Antes que os exploradores, conquistadores e colonizadores europeus começassem a encher o Novo Mundo no início de 1500, as Américas eram a casa de aproximadamente 100 milhões de nativos. Durante os séculos que se seguiram, as doenças epidêmicas reduziram esse número para algo entre 5 e 10 milhões [fonte: Yount]. Embora esses povos, como os incas e os astecas (em inglês), tenham construído cidades, elas não moravam nelas tempo suficiente para propagarem o tipo de doenças que os europeus possuíam, nem tinham domesticado tantos animais. Quando os europeus chegaram às Américas, levaram consigo uma grande quantidade de doenças, para as quais os nativos não tinham defesa nem imunidade.

varíola
Hulton Archive/Getty Images
Essa pintura representa a conquista da capital asteca Tenochtitlán pelo explorador espanhol Hernando Cortez, em 13 de agosto de 1521. O que garantiu sua vitória não foi nenhuma arma de fogo moderna, mas a varíola que os conquistadores levaram acidentalmente para o continente.

A principal dessas doenças foi a varíola, causada pelo vírus da varíola. Esse vírus começou a afetar os humanos há milhares de anos, sendo que a forma mais comum da doença foi responsável por uma taxa de mortalidade de 30% [fonte: CDC]. A varíola provoca febre alta, dores no corpo e erupções que logo passam de protuberâncias e crostas cheias de líquido para cicatrizes permanentes. A doença é transmitida principalmente pelo contato direto com a pele ou com os líquidos do corpo de uma pessoa infectada, mas também pode se espalhar pelo ar em ambientes fechados.

Guerra biológica

O poder da varíola em exterminar populações nativas foi um efeito inesperado da presença das forças européias na América do século 16. Entretanto, as epidemias posteriores nem sempre foram tão acidentais. Durante a guerra franco-indígena de 1763, o comandante britânico Sir Jeffrey Amherst foi responsável pela contaminação das tribos Ottawa. As tropas deram aos índios cobertores infectados. Hoje, com a varíola erradicada no mundo todo, surgiu o medo de que o vírus pudesse ser usado em um ataque terrorista contra uma população não vacinada.

Apesar da criação de uma vacina, em 1796, a epidemia da varíola continuou se espalhando. Em 1967, o vírus matou dois milhões de pessoas e assustou outras milhares em todo o mundo [fonte: Choo]. Nesse mesmo ano, a OrganizaçãoMundial liderou uma campanha para erradicar o vírus por meio de vacinações em massa. Como resultado, 1977 marcou o último caso de varíola que ocorreu naturalmente. Efetivamente eliminada do mundo natural, a doença existe apenas em laboratório.

Saiba na próxima página como e por que a gripe de 1918 matou milhões de pessoas.

Gripe de 1918

Em 1918, o mundo assistia ao fim da Primeira Guerra Mundial. No fim daquele ano, o número estimado de mortos chegaria a 37 milhões no mundo inteiro e milhões de soldados tentavam voltar para casa. Então, surgiu uma nova doença. Alguns a chamaram de gripe espanhola, outros de a grande gripe ou ainda de gripe de 1918. Independe disso, a doença matou aproximadamente 20 milhões de pessoas em questão de meses [fonte: Yount]. Em um ano, a gripe desapareceria, mas apenas depois de causar um número espantoso de mortes. As estimativas globais variam entre 50 e 100 milhões de fatalidades naquele ano [fonte: NPR]. Muitos a consideram a pior epidemia (depois pandemia) registrada na história da humanidade.

gripe espanhola
Hulton Archive/Getty Images
Enfermeiras cuidam de vítimas da epidemia de gripe espanhola de 1918 dentro de barracas de lona, em Massachusetts

A gripe de 1918 não foi causada pelo vírus típico da gripe que vemos anualmente. Era uma nova cepa de micróbio da gripe, o vírus A da gripe aviária H1N1. Os cientistas suspeitam que a doença tenha sido transmitida dos pássaros para os humanos no meio-oeste americano pouco antes do surto. Foi batizada, posteriormente, de gripe espanhola depois que uma epidemia na Espanha matou 8 milhões de pessoas [fonte: NPR].

No mundo inteiro, o sistema imunológico das pessoas estava totalmente despreparado para o novo vírus - assim como os astecas não esperavam a chegada da varíola, por volta de 1500. O transporte de tropas e as linhas de abastecimento no fim da Primeira Guerra Mundial permitiram que o vírus chegasse rapidamente a proporções pandêmicas, espalhando-se para outros continentes e países.

Ressurreição de um assassino

Em 2005, os pesquisadores recriaram o vírus A da gripe aviária H1N1 a partir de material genético encontrado nos pulmões das vítimas da gripe de 1918. Os cientistas esperam que, com o estudo do vírus fatal, eles possam se preparar melhor para futuros surtos dos novos vírus da gripe.

A gripe de 1918 apresentava os sintomas típicos de uma gripe normal, como febre, náusea, dores e diarréia. Além disso, os pacientes freqüentemente desenvolviam manchas escuras nas bochechas. Quando seus pulmões se enchiam de líquido, eles corriam o risco de morte por falta de oxigênio. Aqueles que morreram se afogaram com a própria secreção.

A epidemia desapareceu em um ano, quando o vírus mudou para outras formas menos fatais. A maioria das pessoas, hoje, apresenta algum grau de imunidade a essa família de vírus H1N1, herdada daqueles que sobreviveram à pandemia.

Continue lendo para conhecer a peste negra, que afetou as mentes criativas da época.

Peste negra

peste negra
Hulton Archive/Getty Images
Essa pintura de 1656 representa um médico usando roupa e máscara de proteção
Carroças cheias de cadáveres, famílias agonizantes isoladas, reis e camponeses implorando libertação - quando se trata de doenças epidêmicas, poucas têm imagens tão terríveis quanto a peste negra.

Considerada a primeira doença verdadeiramente pandêmica, a peste negra matou metade da população da Europa, em 1348, e dizimou partes da China e da Índia. Essa "grande agonia" seguiu os caminhos do tráfico e da guerra, exterminando cidades e mudando para sempre a estrutura das classes, as políticas globais, o comércio e a sociedade.

Por muito tempo, a peste negra foi considerada uma epidemia de peste, viajando em sua forma bubônica nas pulgas de rato, e pelo ar, na forma pneumônica. Estudos recentes colocaram isso em dúvida. Alguns cientistas afirmam que a peste negra pode ter sido um vírus hemorrágico semelhante ao ebola. Essa forma de doença resulta em forte hemorragia. Os cientistas continuam estudando material genético de supostas vítimas da peste na esperança de descobrir provas genéticas que confirmem suas teorias.

Causada pela bactéria Yersinia pestis, a doença ainda pode representar um problema em áreas pobres e infestadas por ratos. A medicina moderna permite o tratamento fácil da doença em seus estágios iniciais, tornando-a uma ameaça bem menos fatal. Os sintomas são glândulas linfáticas inchadas, febre, tosse, muco com sangue e dificuldade para respirar.

Herança permanente

A peste negra teve um grande efeito na arte e na literatura do período em que ocorreu. Poetas, pintores e escultores da época ficaram preocupados com a morte e com a vida futura. Séculos depois, quando a humanidade enfrentou epidemias modernas (como a AIDS, por exemplo) e refletiu sobre as pestes anteriores, as visões da crise pandêmica também podem ser vistas nos meios de comunicação.

Depois que ler a página sobre malária, você não vai se sentir culpado por matar o próximo mosquito que pousar na sua pele.

Malária

A malária não é novidade para o mundo das doenças epidêmicas. Há registros de seu impacto nas populações humanas de mais de 4 mil anos atrás, quando os escritores gregos observaram seus efeitos destruidores. A descrição da doença transmitida por mosquito surgiu nos textos médicos antigos da Índia e da China. Até então, os cientistas associavam a doença às águas paradas onde os mosquitos proliferavam.

A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium comuns a duas espécies: mosquitos e seres humanos. Quando os mosquitos infectados se alimentam do sangue humano, eles transmitem esses protozoários. Uma vez no sangue, eles crescem dentro dos glóbulos vermelhos, destruindo-os. Os sintomas variam de moderados a fatais, mas, normalmente, incluem febre, calafrios, sudorese, cefaléia e dores musculares.

mosquiteiro
Phillip Ojisua/AFP/Getty Images
Organizadores preparam o maior mosquiteiro do mundo para o African Summit on Roll Back Malaria (Conferência Africana para a Redução da Malária), em 2000. A doença continua matando, anualmente, mais de um milhão de pessoas na África subsaariana.

Há uma grande dificuldade de se obter números específicos relacionados às antigas epidemias de malária. É possível ver melhor os efeitos anteriores da doença se analisarmos os grandes empreendimentos nas regiões infestadas pela malária. Em 1906, os Estados Unidos empregaram mais de 26 mil trabalhadores para a construção do Canal do Panamá. Os organizadores hospitalizaram mais de 21 mil deles por conta da doença [fonte: CDC].

Apenas na Guerra Civil Americana (em inglês), 1.316.000 homens supostamente tiveram a doença e 10 mil morreram. Durante a Primeira Guerra Mundial, a malária imobilizou as forças britânicas, francesas e alemãs durante três anos. Aproximadamente, 60 mil soldados norte-americanos morreram da doença na África e no Pacífico Sul durante a Segunda Guerra Mundial [fonte: site da malária].

No fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos tentaram impedir a epidemia da malária. No início, o país progrediu bastante usando o inseticida DDT (Dicloro-difenil-tricloroetano), hoje proibido, e depois, tomou medidas preventivas para manter baixas as populações do mosquito. Depois que o CDC (Centro de Controle de Doenças) declararou que a malária tinha sido erradicada nos Estados Unidos, a Organização Mundial da Saúde começou a erradicá-la no mundo inteiro. Entretanto, os resultados foram heterogêneos e os custos, a guerra, a política, assim como o surgimento de mosquitos resistentes a inseticidas e de cepas de malária resistentes aos medicamentos, finalmente, levaram ao abandono do projeto.

Atualmente, a malária continua representando um problema em boa parte do mundo, especialmente na África (em inglês) subsaariana, área que foi excluída da campanha de erradicação da OMS. Anualmente, entre 350 e 500 milhões de casos de malária ocorrem na região [fonte: CDC]. Desses casos, mais de 1 milhão resultam em morte. Mesmo nos Estados Unidos, ocorrem mais de mil casos e várias mortes por ano, apesar das declarações anteriores de erradicação.

A seguir, conheça uma doença que afetou a espécie humana desde os tempos das múmias do Egito antigo.

Tuberculose

A tuberculose causou grande impacto na humanidade e destruiu populações. Os textos antigos detalham a maneira como as vítimas da doença eram afetadas. Houve, inclusive, evidências de DNA da doença descobertas em múmias egípcias.

Provocada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a tuberculose é transmitida de pessoa para pessoa através do ar. A bactéria geralmente chega aos pulmões, causando dores no peito, fraqueza, perda de peso (em inglês), febre, sudorese noturna e crises de tosse com sangue. Em alguns casos, a bactéria também afeta o cérebro, os rins ou a coluna vertebral.

tuberculose
Deshakalyan Chowdhury/Associated Foreign Press/Getty Images
Mãe e filho esperam atendimento em um hospital público na periferia de Kolkata, Índia, onde a tuberculose é um grande problema de saúde pública

No início do século 17, a epidemia de tuberculose na Europa, conhecida como a grande peste branca, matou aproximadamente uma em cada sete pessoas infectadas. A tuberculose era um problema comum na América colonial. Mesmo no fim do século 19, 10% de todas as mortes nos Estados Unidos eram atribuídas à tuberculose [fonte: Departamento de Saúde e Serviços Públicos de Nebrasca].

Em 1944, os médicos desenvolveram o antibiótico estreptomicina, usado no combate à doença. Foram feitos mais avanços nos anos seguintes e, depois de 5 mil anos de sofrimento, a humanidade finalmente tinha uma cura para o que os gregos antigos chamavam de tísica, "a doença devastadora".

Apesar das curas e dos tratamentos modernos, a tuberculose continua infectando cerca de 8 milhões de pessoas anualmente, matando, conseqüentemente, cerca de 2 milhões [fonte: Departamento de Saúde e Serviços Públicos de Nebrasca]. A doença reapareceu com força na década de 90 devido à falta de programas de prevenção e tratamento, à pobreza mundial e ao surgimento de novas cepas resistentes a antibióticos. Além disso, pacientes com HIV/AIDS ficam com o sistema imunológico comprometido, tornando-se mais suscetíveis à doença. Assim como o vírus da AIDS se propagou em todo o mundo, a tuberculose também reapareceu.

Leia a próxima página para saber por que a hidratação com líquidos e as bebidas esportivas podem ajudar se você foi diagnosticado com cólera.

Cólera

As pessoas da Índia sempre conviveram com os perigos da cólera, mas somente após o século 19 o resto do mundo conheceu essa doença. Durante esse período, os navios mercantes exportavam acidentalmente a bactéria mortal para cidades da China, do Japão, da África do Norte, do Oriente Médio e da Europa. Seguiram-se seis pandemias de cólera que mataram milhões de pessoas.

cólera
Tom Stoddart/Hulton Archive/Getty Images
Um pai carrega o filho doente durante o surto de cólera, em 1994. Esse surto tirou milhares de vidas em Goma, Zaire, depois que um milhão de pessoas fugiram da guerra em Ruanda.

A cólera é causada por uma bactéria intestinal chamada Vibrio cholerae. As infecções geralmente são moderadas. Cerca de 5% das pessoas que contraem a doença apresentam vômito, diarréia e cãibras fortes nas pernas - sintomas que levam rapidamente à desidratação grave e à queda acentuada da pressão arterial. Pode-se contrair a bactéria através de contato físico direto com pessoa contaminada, mas a cólera se propaga principalmente pela água e pelos alimentos contaminados.

Devido às condições duras e miseráveis das principais cidades da Europa durante a revoluçâo industrial (em inglês) no início do século 19, a cólera novamente se propagou. Os médicos exigiam condições de vida melhores e mais sistemas de esgoto sanitário, achando que o "ar ruim" era o responsável pela epidemia. Essa medida ajudou bastante, mas foi somente depois que a doença foi associada à água contaminada que a quantidade de casos diminuiu consideravelmente.

Durante décadas, a cólera foi esquecida - parecia ser apenas uma doença do século 17, derrotada pelas melhorias no saneamento e na medicina. No entanto, uma nova cepa da cólera surgiu em 1961, na Indonésia, tendo se espalhado para boa parte do mundo. A pandemia resultante continua até hoje. Em 1991, a cólera debilitou cerca de 300 mil pessoas e matou 4 mil [fonte: Yount].

Como a AIDS é notícia com freqüência, a doença acabou inspirando muitos filmes, peças, programas de TV e livros premiados. Conheça na próxima página essa doença incurável.

AIDS

O surgimento da AIDS, nos anos 80, levou a uma pandemia mundial, matando cerca de 25 milhões de pessoas desde 1981. De acordo com estatísticas recentes, 33,2 milhões de pessoas são HIV-positivas e 2,1 milhões de pessoas morreram de AIDS apenas em 2007 [fonte: Avert].

AIDS
Yoav Lemmer/AFP/Getty Images
Um banner contra a AIDS na cidade de Gaborone, na Botsuana, em outubro de 1999. Na época, mais de um em cada quatro adultos, em Botsuana, estavam infectados com o vírus HIV/AIDS.

A AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) é causada pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana). O vírus é transmitido pelo contato com sangue, sêmen e outros líquidos do corpo, e afeta o sistema imunológico humano. Com o sistema imunológico enfraquecido, abrem-se caminhos para infecções, chamadas de infecções oportunistas, que, de outra forma, não representariam um problema. A infecção pelo vírus HIV se transforma em AIDS quando o sistema imunológico é gravemente afetado.

Os cientistas acreditam que o HIV foi transmitido aos humanos através de certas espécies de macacos e símios em meados do século 20. Durante a década de 70, a população da África cresceu e a guerra, a pobreza e o desemprego assolaram as áreas urbanas. A prostituição e o abuso de drogas injetáveis chegaram ao caos, e o HIV passou a ser transmitido através de relações sexuais sem preservativos (em inglês) e da reutilização de seringas e agulhas contaminadas. Mesmo nos hospitais, o reaproveitamento de seringas e agulhas, e as transfusões de sangue contribuíram para a epidemia.

Ainda não há cura para a AIDS, embora certos medicamentos possam impedir que o HIV se transforme na doença. Outros medicamentos podem ajudar a combater as infecções oportunistas. Várias organizações promoveram campanhas de tratamento, conhecimento e prevenção da AIDS. Como já mencionamos, o HIV geralmente é transmitido através da relação sexual e do uso de agulhas compartilhadas. Os médicos continuam recomendando o uso de preservativos e agulhas descartáveis.

A seguir, conheça uma doença que fez Napoleão parar - a febre amarela.

Febre amarela

Quando os europeus começaram a importar escravos africanos para as Américas, eles também levaram uma série de novas doenças, como a febre amarela. Essa doença arrasou as colônias, dizimando fazendas e até grandes cidades.

febre amarela
Joedson/AFP/Getty Images
Uma moradora de Águas Lindas, em Goiás, é vacinada contra a febre amarela durante uma epidemia em 2008

Quando o imperador da França, Napoleão Bonaparte, enviou um exército com 33 mil homens às terras francesas na América do Norte, a febre amarela matou 29 mil deles. Napoleão ficou tão chocado com a quantidade de mortos que decidiu que o território não valia o risco de mais perdas. A França vendeu essas terras aos Estados Unidos em 1803 - um acontecimento conhecido na história como a Compra da Louisiana (em inglês) [fonte: Yount].

A febre amarela, assim como a malária, é transmitida de uma pessoa a outra através da picada de mosquitos. Os sintomas são febre, calafrios, cefaléia, dor muscular, dor nas costas e vômito. A gravidade dos sintomas varia de moderada a fatal e as infecções graves podem levar a sangramento, choque e insuficiência renal e hepática. A insuficiência hepática provoca ictéria (em inglês), ou seja, a coloração amarelada da pele, que dá à doença seu nome.

Apesar da vacinação, dos procedimentos de tratamento aprimorados e do controle do mosquito, as epidemias da doença persistem até hoje na América do Sul e na África.

Leia a próxima página para descobrir por que os soldados nas guerras não tinham somente que se esquivar das balas, mas também do tifo epidêmico.

Os danos que causamos a nós mesmos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) continua lutando contra epidemias em todo o mundo - incluindo o tabagismo e a obesidade. A obesidade clínica afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo inteiro, aumentando o risco de doença crônica grave e diminuindo a qualidade de vida [fonte: OMS]. Quanto aos cigarros, a OMS estima que, em 20 anos, o tabagismo causará mais mortes do que o HIV, a tuberculose e as mortes violentas, todos juntos [fonte: BBC].

Tifo epidêmico

Aglomere uma certa quantidade de pessoas em péssimas condições de higiene e você provavelmente terá uma infestação de piolhos. As cidades miseráveis e as tropas acampadas, por toda a história, tiveram que suportar as ameaças dos parasitas e das bactérias devastadoras. O minúsculo micróbio Rickettsia prowazekii causa uma das doenças infecciosas mais arrasadoras que o mundo já viu: o tifo epidêmico.

tifo
George Rodger/Time & Life Pictures/Getty Images
Essa foto de 1945, mostra um soldado britânico pulverizando uma prisioneira recém-libertada das condições imundas no campo de concentração de Bergen-Belsen - medida necessária para combater o tifo epidêmico.

Essa doença assolou a humanidade durante séculos, causando milhares de mortes. Dada sua freqüência entre as tropas acampadas, geralmente era chamada de "febre do campo" ou "febre da guerra". Durante a Guerra dos trinta anos (em inglês) [1618-1648], na Europa, o tifo, a peste e a fome atingiram cerca de 10 milhões de pessoas. Algumas vezes, os surtos de tifo determinaram o resultado de guerras inteiras [fonte: Conlon].

Quando as forças espanholas ficaram cercadas na fortaleza moura (em inglês) de Granada, em 1489, um surto de tifo fez com que passassem de 25 mil para 8 mil soldados em um único mês [fonte: Conlon]. Devido à destruição causada pela doença, passou-se mais um século sem que os espanhóis conseguissem expulsar os mouros da Espanha. Tão recente quanto a Primeira Guerra Mundial, a doença provocou milhões de mortes na Rússia, na Polônia e na Romênia.

Os sintomas do tifo epidêmico normalmente são cefaléia, falta de apetite, mal-estar e um rápido aumento da temperatura, que logo se transforma em febre, acompanhada de calafrios e náusea. Se não for tratada, a doença afeta a circulação sangüínea, resultando em pontos de gangrena, em pneumonia e em insuficiência renal. A febre muito alta pode evoluir para um quadro de delírio, coma e insuficiência cardíaca.

Melhores métodos de tratamento e condições sanitárias diminuíram bastante o impacto do tifo epidêmico nos tempos modernos. O surgimento de uma vacina contra o tifo durante a Segunda Guerra Mundial e o uso difundido de DDT em populações com piolho ajudaram a eliminar efetivamente a doença no mundo desenvolvido. Os surtos ainda ocorrem em partes da América do Sul, da África e da Ásia.

Leia a próxima página para saber por que o saneamento e as condições de vida mais adequadas deixaram muitas pessoas expostas a uma doença (literalmente) paralisante.

Poliomielite

Os pesquisadores suspeitam que a poliomielite foi uma epidemia que atingiu os humanos durante milênios, paralisando e matando milhares de crianças. Por volta de 1952, estima-se que houve 58 mil casos da doença apenas dos Estados Unidos - 1/3 dos pacientes estava paralisado. Desses, mais de 3 mil morreram.

poliomielite
Keystone/Getty Images
Um operário, em 1956, no Glaxo Laboratories, mistura três cepas distintas de poliovírus mortos para preparar a vacina final

A causa da poliomielite é o poliovírus, que atinge o sistema nervoso do homem. Dissemina-se por material fecal, normalmente sendo transmitido através de água e alimento contaminados. Os sintomas iniciais são febre, fadiga, cefaléia, vômito, rigidez e dor nos membros. Com isso, aproximadamente 1 em 200 casos evolui com paralisia [fonte: OMS]. Embora normalmente afete as pernas, a doença às vezes atinge os músculos respiratórios geralmente com resultados fatais.

A poliomielite ocorre com mais freqüência em crianças, mas também pode atingir adultos. Tudo depende de quando a pessoa encontra o vírus pela primeira vez e desenvolve sua primeira infecção. O sistema imunológico está mais bem preparado para combater a doença em crianças, por isso, quanto mais idade a pessoa tiver na primeira infecção, maior será o risco de paralisia e de morte.

A poliomielite é uma enfermidade antiga para o homem e circula pelo mundo há séculos. Com a elevada exposição ao vírus, a imunidade ficou mais alta, especialmente em crianças. No século 18, os métodos de saneamento melhoraram em muitos países. Isso limitou a disseminação da doença, diminuiu a imunidade natural e as chances de exposição ainda na infância. Conseqüentemente, uma quantidade cada vez maior de pessoas mais velhas contraiu o vírus e o número de casos de paralisia nas nações desenvolvidas disparou.

Não existe uma cura efetiva para a poliomielite, mas os médicos aperfeiçoaram a vacina contra a doença no início da década de 50. Desde então, os casos nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos caíram drasticamente, e apenas algumas nações em desenvolvimento ainda apresentam a doença em níveis epidêmicos. Como os seres humanos são os únicos portadores conhecidos do vírus, a vacinação em massa praticamente garante a extinção da poliomielite. Em 1988, a Organização Mundial da Saúde organizou a Iniciativa de Erradicação Global da Poliomielite para alcançar esse objetivo.

Fonte: Como tudo funciona.

Link: http://www.hsw.uol.com.br/

sexta-feira, 30 de outubro de 2009 Tags: , 0 comentários

As 10 doenças mais estranhas do mundo.


Uma pesquisa do jornal australiano Sydney Morning Herald relacionou algumas das síndromes mais estranhas que atingem o ser humano. Podem parecer doideiras, mas para cada uma dessas doenças existe um batalhão de médicos tentando descobrir a causa. E principalmente a cura.


1. SÍNDROME DO SOTAQUE ESTRANGEIRO
Após sofrer uma pancada ou qualquer outro tipo de lesão no cérebro, as vítimas desse distúrbio passam a falar com sotaque francês... ou italiano... ou espanhol. A língua varia, mas, na maioria dos casos, as vítimas desconhecem o novo idioma. Segundo cientistas, a pronúncia não é efetivamente estrangeira, só dá a impressão disso. Pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, acreditam que o sintoma é causado por um trauma em áreas do cérebro responsáveis pela linguagem, provocando mudanças na entonação, na pronúncia e em outras características da fala. Um caso bem recente da síndrome do sotaque rolou com a britânica Lynda Walker, no mês passado. Após um infarto, Lynda acordou falando com sotaque jamaicano.



2. SÍNDROME DE CAPGRAS
Após sofrer uma desilusão com o cônjuge, com os pais ou com qualquer outro parente, a pessoa passa a acreditar que eles foram seqüestrados e substituídos por impostores. O sintoma por vezes se volta contra a própria vítima: ao se olhar no espelho, ela também acredita que está vendo a imagem de um farsante. Neurose total! O problema tende a atingir mais pessoas a partir dos 40 anos e suas causas ainda não são conhecidas. A síndrome foi descoberta pelo psiquiatra francês Jean Marie Joseph Capgras, que a descreveu pela primeira vez em 1923. Em graus mais extremos, a vítima acha que até objetos inanimados, como cadeiras, mesas e livros, foram substituídos por réplicas exatas.



3. SÍNDROME DA MÃO ESTRANHA
"Minha mão agiu por conta própria..." Essa desculpa usada por alguns cafajestes pode ser verdadeira. A síndrome em questão alien hand syndrome, em inglês faz com que uma das mãos da vítima pareça ganhar vida própria. O problema atinge principalmente pessoas com lesões no cérebro ou que passaram por cirurgias na região. O duro é que o doente não presta atenção na mão boba, até que ela faça alguma besteira. A mão doida é capaz de ações complexas, como abrir zíperes... Os efeitos da falta de controle sobre a mão podem ser reduzidos dando a ela uma tarefa qualquer, tarefa qualquer, como segurar um objeto.



4. SÍNDROME DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Doença que provoca distorções na percepção visual da vítima, fazendo com que alguns objetos próximos pareçam desproporcionalmente minúsculos. O distúrbio foi descrito pela primeira vez em 1955, pelo psiquiatra inglês John Todd, que o batizou em homenagem ao livro de Lewis Carroll. Na obra, a protagonista Alice enxerga coisas desproporcionais, como se estivesse numa "viagem" provocada por LSD. As vítimas da síndrome também vêem distorções no próprio corpo, acreditando que parte dele está mudando de forma ou de tamanho.



5. PICA
Esse nome também estranho não tem nada de pornográfico: pica é uma palavra latina derivada de pêga, um tipo de pombo que come qualquer coisa. E a pica a síndrome, é claro... faz exatamente isso: a pessoa sente um apetite compulsivo por coisas não comestíveis, como barro, pedras, tocos de cigarros, tinta, cabelo... O problema atinge mais grávidas e crianças. Após comerem muita porcaria involuntariamente, os glutões ficam com pedras calcificadas no estômago.Em 2004, médicos franceses atenderam um senhor de 62 anos que devorava moedas. Apesar dos esforços, ele morreu. Com cerca de 600 dólares no estômago...



6. MALDIÇÃO DE ONDINA
O nome bizarro é uma referência a Ondina, ninfa das águas na mitologia pagã européia. A doença, mais estranha ainda, faz com que as vítimas percam o controle da respiração.

Se não ficar atento, o sujeito simplesmente esquece de respirar e acaba sufocado! A síndrome foi descoberta há 30 anos e já existem cerca de 400 casos no mundo. Pesquisadores do hospital Enfants Malades, de Paris, acreditam que a doença esteja relacionada com um gene chamado THOX2B. O sistema nervoso central se descuida da respiração durante o sono e o doente precisa dormir com um ventilador no rosto para não ficar sem ar!



7. SÍNDROME DE COTARD
Depressão extrema, em que o doente passa a acreditar que já morreu há alguns anos. Ele acha que é um cadáver ambulante e que todos à sua volta também estão mortos. Em casos extremos, o sujeito diz que pode sentir sua carne apodrecendo e vermes passeando pelo corpo... Na fase final, a vítima deixa até de dormir e sua ilusão pode efetivamente se tornar realidade. O nome da doença faz referência ao médico francês Jules Cotard, que a descreveu pela primeira vez em 1880. Apesar de depressivo e certo de que está morto, o doente, contraditoriamente, também pode apresentar idéias megalomaníacas, como a crença na própria imortalidade.



8. SÍNDROME DE RILEY-DAY
Se você já sonhou em nunca mais sentir nenhuma dor, cuidado com o que pede... As vítimas dessa doença não sentem dores, mas isso é um problemão. Elas ficam muito mais sujeitas a sofrer acidentes porque param de registrar qualquer aviso de dano nos tecidos do corpo, como cortes ou queimaduras. A doença é causada por uma mutação no gene IKBKAP do cromossomo 9 e foi descrita pela primeira vez pelos médicos Milton Riley e Richard Lawrence Day. Sem o aviso de perigo que a dor proporciona às pessoas comuns, a maioria dos doentes com a síndrome de Riley-Day tende a morrer jovem, antes dos 30 anos, por causa de ferimentos.



9. SÍNDROME DA REDUÇÃO GENITAL
Também conhecido como koro, esse distúrbio mental deixa a pessoa convencida de que seus genitais estão desaparecendo. A maioria dos casos até hoje foi relatada em países da Ásia ou da África, e em muitos deles a síndrome parece ter sido contagiosa! Um dos episódios mais estranhos ocorreu em Cingapura, em 1967, quando o serviço de saúde local registrou centenas de casos de homens que acreditavam que seu pênis estava sumindo. Um único caso da síndrome da redução genital foi registrado até hoje no Brasil, no Instituto de Psiquiatria da USP. Convencido de que seu pênis estava sumindo, o doente tentou se matar com duas facadas no abdômen!



10. CEGUEIRA EMOCIONAL
A expressão "cego de emoção" existe na prática, e pode acontecer com qualquer pessoa normal. O problema foi descoberto recentemente por pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Depois de olhar para alguma imagem forte, principalmente com conteúdo pornográfico, a maioria das pessoas perde a vista por um curto espaço de tempo - décimos de segundo na verdade. Até agora, nenhum especialista conseguiu explicar o porquê dessa reação. A descoberta da cegueira emocional deu origem a um movimento no Congresso americano para que seja banida toda a publicidade com apelo erótico em grandes rodovias do país.

Saúde News


Descoberta evita proliferação do HIV.


Uma proteína presente nas células humanas leva ao pé da letra a ideia de domar o vírus HIV, temido causador da Aids. Ela é capaz de se transformar numa coleira molecular, que acorrenta o vírus e impede que ele inicie a invasão de outras células do organismo.

Pesquisadores americanos acabam de decifrar como esse processo acontece, em artigo na revista científica "Cell". O grupo coordenado por Paul D. Bieniasz, do Centro Aaron Diamond de Pesquisa sobre Aids (EUA), descobriu até como criar uma forma sintética da "coleirina" (tradução livre do inglês "tetherin"), que funciona tão bem quanto ela.

Embora, pelo visto, o HIV já seja capaz de se safar da coleira proteica, o entendimento dos detalhes do mecanismo pode trazer pistas para fortalecer esse sistema de correntes e, quem sabe, fazer com que ele volte a ser eficaz. E o achado não é relevante apenas para o estudo da Aids: muitos outros vírus, como o Ebola e os causadores da gripe, também parecem ser suscetíveis à "coleirina".

"Nas células onde a "coleirina" está funcionando bem, esperaríamos que a replicação viral ficasse atenuada. Não sabemos a que ponto isso afetaria a carga de vírus no organismo ou a transmissão para outros indivíduos, mas é razoável imaginar que um desses parâmetros, ou ambos, seriam reduzidos", disse Bieniasz à Folha.

Os pesquisadores chegaram à "coleirina" seguindo a pista de outro tipo de molécula, os interferons do tipo 1, que parecem coordenar, entre outras coisas, parte das reações do sistema de defesa do organismo contra vírus. Já se sabia que a "coleirina" era ativada pelos interferons, e que ela era capaz de diminuir a saída de partículas virais (grosso modo, os vírus "individuais") das células já infectadas pelo HIV. Também se sabia que a Vpu, uma proteína do vírus da Aids, tem como função desarmar a molécula.

Com essas informações, os pesquisadores passaram a estudar a composição química da molécula, bem como o papel dela na célula. Verificaram, então, que a "coleirina" costuma ficar atravessada na membrana que envolve as células, com um ganchinho espichado para fora. E conseguiram testar o que acontece quando o HIV, sem a proteção da Vpu, tenta sair de uma célula infectada.

Âncora

A "coleirina" se incorpora ao envelope protetor do vírus e vira uma espécie de âncora na membrana da célula. Preso, o parasita não alcança outras células. "O vírus escapa disso normalmente. Com o escape bloqueado, vimos do que ele escapava", diz o biólogo Atila Iamarino, doutorando da USP que estuda a evolução do HIV.

Para o médico Luís Fernando Brígido, diretor do laboratório de retrovírus do Instituto Adolfo Lutz, o trabalho é um primeiro passo importante para usar o sistema da "coleirina" como um alvo de novos medicamentos contra o vírus da Aids.

"Eles mostraram que uma forma sintética dela seria mais eficaz contra o HIV, mas seria complicado induzir uma alteração da proteína dentro da célula. Por outro lado, inibir a Vpu, que permite ao vírus escapar, seria um caminho", afirma.

Ele chama a atenção para outro ponto importante: a "coleirina" age sobre o envelope do vírus, que é produzido com material da própria célula. "É como uma barraca de praia que o vírus compra e leva." Como é mais difícil para o HIV modificar o material que vem da célula com mutações, a chance de resistência a drogas baseadas nesse conceito seria menor.

Folha de São Paulo.

Reinaldo José Lopes


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